São chamados cortadores de cana ou simplesmente trabalhadores rurais que também têm o apelido de: “bóias-frias” porque a comida (bóia) que levam para o campo costuma esfriar antes da hora do almoço.
FIQUE SABENDO!
Os antigos senhores de engenho, reconfigurados posteriormente em usineiros, são hoje cada vez mais empresários que tentam construir a qualquer custo uma autoimagem moderna. Propagandeiam de modo insistente noções como inovação tecnológica, prosperidade e modernização, facilmente confirmadas nos segundos de propaganda: “agro é pop, agro é tech, agro é tudo”. Esses empresários, nacionais e estrangeiros, exaltam os avanços científicos, a aquisição de equipamentos com tecnologia de ponta e a adesão a uma suposta agenda sustentável. Verifica-se, no entanto, uma rota de colisão nesse caminho: o “moderno” agronegócio canavieiro no Brasil possui nas condições e relações de trabalho no corte manual da cana a expressão mais visível de sua degradação e de seu “atraso”.

Em sua ampla maioria, os cortadores de cana são trabalhadores do sexo masculino, negros, com faixa etária entre 19 e 40 anos, com pouca ou nenhuma escolaridade e sem qualificação profissional. A atividade do corte manual é pesada, repetitiva, realizada a céu aberto, no calor, entre a poeira e a fuligem da cana em longas jornadas de trabalho. Esses trabalhadores(as) são diariamente afetados por alguns riscos: a exposição a fertilizantes e agrotóxicos e a radiações solares; acidentes de trabalho decorrentes de equipamentos de corte ou de animais peçonhentos como escorpiões e cobras; lesões por esforço repetitivo; precárias condições de alimentação e saneamento etc.
“Sobre o doce da cana, há muito suor salgado. É muito trabalho e pouco descanso. Muito trabalho e pouca vida.”
Mais do que justo lembrar da força desses guerreiros(as)! Nossa saudação a esse profissional essencial no processo de cultivo que também é tão precarizado. Mesmo que algumas tecnologias tenham se desenvolvido com o decorrer dos anos, o corte manual ainda é essencial, motivo pelo qual os trabalhadores(as) são de extrema importância para a produção rural, como também pela economia brasileira.
Juntos na luta por condições mais dignas aos nossos irmãos(as)!
Assema-CE
Fonte da pesquisa: Brasil de Fato – Pernambuco











